quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Natal no século XXI


Daqui a dois dias estaremos vivendo mais um Natal. Essa data tão marcante na vida de todos, mas que diante de toda correria dos últimos tempos, também está sendo afetada pela vida agitada das grandes cidades.

Lembro-me dos tempos em que a gente começava a pensar em Natal no final de novembro com a montagem da árvore e do presépio. Depois com a chegada das férias escolares no início de dezembro, entrávamos em contagem regressiva para os preparativos da grande festa.

Hoje em dia, só consigo "entrar no clima" praticamente na véspera. Só para terem uma idéia, ainda não conseguimos tempo de colocar um mísero enfeite na porta de casa. Mas de qualquer maneira, a tradição tem que ser mantida e aí entram os detalhes que fazem a diferença: uma mesa farta com pratos típicos, uma boa "tômbola à dinheiro", a hora de cantar Etion Zilef com minha irmã com um bom copo de espumante na mão, a troca de presentes do famigerado amigo secreto, comer crôstoli da mama e a mais recente tradição, desejar um Feliz Natal para minha filhotinha Giullia!

A todos um Feliz Natal e que o próximo ano seja feito de grandes histórias para depois de algum tempo eu poder contá-las aqui.

Saúde! Paz! Sucesso!

:o)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Em ritmo de festa


Ainda falando em festas e pessoas e família, como é bonito ver que ainda existem famílias festeiras, que se reúnem apenas pelo prazer da conversa, pra botar as fofocas em dia e de quebra, beber, comer, se divertir como nunca com os mesmos rostos conhecidos, uns já marcados pelo tempo, outros frescos, joviais, recém apresentados ao mundo.

Admiro as pessoas com esse dom de se divertir sem se preocupar com o resto. Infelizmente não sou sócio desse clube...

20 anos do MURO


Hoje preparando mais um churrasco habitual dos finais de semana, me peguei lembrando que apesar desse hábito gastronômico estar tão difundido hoje em dia em nosso país, até a década de 1980 ele não era tão importante assim, pelo menos é o que minhas lembranças permitem avaliar.

É desnecessário dizer que para minha família de descendentes de italianos, a refeição sempre teve e terá um lugar de destaque em nossas vidas, e nunca será apenas uma obrigação ou qualquer coisa parecida. É acima de tudo um prazer!

Até aquela década, minha família era muito mais unida que hoje. Lembro de inúmeros finais de semana com muita comida, bebida, brincadeiras, jogos, discussões, "panos quentes", rancores e mágoas. Tudo isso acompanhado de belas macarronadas, pizzas e esfihas feitas em casa (não existia delivery e também não tínhamos telefone), feijoadas, charutinhos, pernil e peru nos finais de ano, mas não me recordo de nenhum final de semana com churrasco.

Sinceramente não sei dizer o porquê disso, talvez não fosse hábito, ou o preço da carne era alto, ou até mesmo talvez porque ninguém gostasse mesmo, sei lá! Além disso, eram tempos difíceis para o país, com racionamentos, fiscais do Sarney, inflação de 30% ao mês, etc.

Acho que nunca iremos esquecer o dia em que meu pai virou a esquina trazendo nas mãos como um troféu, um pacote de carne! Já faziam algumas semanas que a carne sumira do mercado e tinha virado objeto de luxo para a população. Em outra oportunidade, minha mãe ficou sabendo que em um açougue num bairro próximo tinha recebido uma carga de carne e logo se dispôs a buscá-la. Na volta apesar do cansaço e da felicidade de ter conseguido comprar o que queria, recebeu como recompensa mais uma "patada" de seus entes queridos que moravam conosco na época.

Apesar de tudo, não quer dizer que não comíamos churrasco naquele tempo. Na rua em que fica o Metrô Saúde, havia um senhor que fazia um churrasquinho de rua sensacional. Me lembro como se fosse agora, aqueles espetinhos com farinha de mandioca crua, enrolados em papel e uma sacola plástica trazidos sempre pelo meu pai.

O final da década de 1980 trouxe muitas mudanças no mundo, como o fim da União Soviética, a queda do Muro de Berlin e principalmente nossa independência familiar. Enfim morávamos só nós quatro, meus pais, eu e minha irmã, e enfim compramos nossa primeira churrasqueira portátil, para assar bifes, linguiças, pedaços de frango e vinho doce de São Roque.

Paradoxalmente, nosso muro começava a ser construído.

Para o bem e para o mal.

Mas como precisávamos de um muro naquele momento...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Gang da Lage



O que pode ser mais típico para um grupo de amigos adolescentes do que formar um "clubinho"? Minha turma não foi exceção, por isso na virada do ano de 1987 para 1988, fundamos a Gang da Lage. A lage em questão era uma área comprida anexa à um prédio que ficava no alto da nossa rua. Arquitetonicamente falando, era um absurdo e um enorme perigo, pois qualquer um que estivesse passando pela rua, poderia acessar esse local e foi assim que ele se tornou nosso "QG".

Até um pouco antes da Gang da Lage existir, aquele local foi palco de muitas histórias, algumas engraçadas, outras românticas, mas tudo muito inocente se comparado com os dias de hoje. Lembro bem, de quando a utilizávamos como pista de lançamento para nossos imensos aviões de papel, alguns com mais de 1 metro de comprimento, graças às "folhas de gráfica" que ganhávamos. Fora as rodadas de "super trunfo" e demais joguinhos de tabuleiro, onde ficávamos horas nos divertindo, desde que o vento não estivesse muito forte, senão tudo ficava espalhado pelo chão.

No início da adolescência, ela também serviu para os casais de namorados ficarem juntinhos, curtindo a vista bonita de parte do nosso bairro. E caso você estivesse só, o local era ótimo para curtir uma fossa "daquelas", olhar para o infinito e pensar "porquê ela não gosta de mim?".

Mas na virada para 88, tomando cidra cereser com castanhas, e nos sentindo o máximo, que tivemos a idéia de formar a "GL" como era carinhosamente chamada por todos. A turma era formada pelos amigos: Marcello, Maurício, Tico, Sérgio, Alex, Sandro, Paulo, Fabio, Fabiano, Fabinho, Flávio, Juninho, Amauri, Vicente, Jimmy, Nilton, Luciana, Regina, Patricia e todos os outros que faziam parte daquele grupo que brincava na vila.

O clube já possuia a sede, mas faltava algo, e então decidimos fazer camisetas personalizadas. Folheando um catálogo de tratores na empresa onde trabalhava, encontrei o logo perfeito, uma cabeça estilizada de um puma que agradou "logo de cara" e foi aceita por todos. Fiz o desenho no papel vegetal com todos os detalhes, um logo grande para as costas e um menor para a frente da camiseta. Juntamos uns trocados e compramos a tela para silk-screen com nosso desenho.

Lembro que passávamos horas no quarto dos fundos da minha casa, pintando as camisetas, jaquetas e todas as peças de roupa que apareciam. Aquele cheiro característico de tinta para tecido invadia o ar e o orgulho era imenso quando percebemos que o resultado havia ficado perfeito. A estréia nas ruas aconteceu num final de semana, onde fomos todos para o Ibirapuera de bicicleta cada um com sua camiseta da "GL".

Depois de um tempo, o pessoal do prédio fechou o acesso à lage, que naquela altura já estava infestada de grafites artesanais feitos com giz de cera. A turma começou a se dispersar com a mudança de várias famílias para outros bairros, a adolescência já perdia espaço para a vida adulta, e outros interesses fizeram com que a "GL" terminasse.

Hoje, mais de 20 anos depois, resta a lembrança e a certeza de que aproveitamos muito bem aquela época de nossas vidas.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Somos Vivos - Cólera



Sempre, sempre suicido
meu orgulho pessoal
Por que a gente nunca sabe
Se sabemos pra valer.
Quando pego o trem subúrbio
Caio dentro do real
Cada um é um universo
Face a face com você!

SOMOS VIVOS
MAS NASCEMOS SEMPRE QUE ERRAMOS.
ATÉ QUANDO
VAMOS ESCONDER OS NOSSOS BRAÇOS?

Sinto que não temos tempo
Aumentou a pulsação
Dê uma olhada para cima
Dê uma olhada pra você.
Quando pego o trem subúrbio
Caio dentro do real
Cada um é um universo
Face a face com você!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Brain damage



Fica claro para mim a cada dia que passa, que todo ser humano já nasce com 20% da personalidade e caráter que ele carregará pela vida toda. Da infância até o final da adolescência, ele adquire mais 60% e os 20% restantes, ele incorpora durante a fase adulta.

Espero que meus 20% finais consigam equilibrar os 80% já incorporados.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Oitenta e seis



Já fazia um ano que o Rock in Rio havia acontecido e lá estava eu entrando em 1986. Um ano diferente. Um ano em que aconteceram muitas coisas em minha vida.

Logo de cara, eu teria que encarar uma nova escola, o Brasílio Machado. Depois de 8 anos no Maria Ribeiro, eu havia terminado o ginásio e estava pronto para o colegial. Mas eu não estava muito animado com a idéia. A imensa maioria da minha turma da 8ª série, passou o ano de 1985 dividido entre a escola e os cursinhos preparatórios para as famosas escolas técnicas, Federal, GV, Liceu, etc.

Eu não me interessei em prestar nenhum tipo de vestibulinho, portanto, me restavam duas alternativas, continuar no Maria Ribeiro, só que estudar no período noturno (a fama era das piores) ou partir pro Brasílio Machado ou pro Conde, que eram colégios estaduais também, porém com o 2º grau até que bem conceituado na região. Escolhi o Brasílio, mas sem nenhuma convicção do que estava fazendo. Minha vida pessoal estava bastante agitada e os estudos ficaram em segundo plano.

Posso dizer que foi em 1986 que tive meus 15 minutos de fama com as mulheres, no caso, as meninas, pois eu estava com 14 anos na época e esse era meu "target". Sempre fui extremamente tímido desde a infância, por isso, o assunto meninas era um grande segredo para mim. Porém não mais que de repente, eu comecei a atraí-las, mas até hoje não sei bem o motivo. Era a época dos bailinhos de rua, eu como dono do "3 em 1" estava em todos, mesmo tendo vergonha para dançar, eu só me arriscava mesmo, imitando o moonwalking do Michael ou aqueles passos de break, muito famosos na época, além é claro das lentas, que era o objetivo maior daquelas festinhas.

Os bailes começaram a acontecer com maior frequência e minha fama também aumentava. Em todos eles, eu era disputado para dançar a lenta e quem sabe começar um namoro, coisa que eu ainda não havia experimentado, pois até então eles eram apenas platônicos, vários, intensos, mas platônicos.

O auge dessa história aconteceu no mês de abril, quando aconteceria um baile na casa da Leandra, que morava na "rua de cima". Era a festa de 15 anos dela e semanas antes já rolava um clima entre a gente, principalmente quando jogávamos vôlei em frente de casa. Todos nossos amigos imaginavam que seria nesse baile que nós começaríamos a namorar. Mas não foi bem isso que aconteceu. Ela realmente estava interessada, ou pelo menos, demonstrava isso, mas quando vi aquela morena entrando no baile, eu me esqueci completamente de todo o resto.

Cristiane. Esse era o nome dela. Morena, cabelos cacheados, linda. Eu estava apaixonado de verdade e ela sabia que eu estava em suas mãos. Foi meu primeiro beijo. Ficamos juntos pouco mais de um mês. E tudo acabou tão misteriosamente como começou. Mas valeu, como valeu.

Mas chegou o mês de junho, e tudo começou a mudar. Diante da minha total falta de interesse em estudar, desisti oficialmente do colegial. Passava o dia inteiro brincando na rua. Num desses jogos na "rua de baixo" aconteceu um acidente bizarro. A bola caiu num bueiro e como de costume, tiramos a tampa e entramos para retirar a bola. Só que quando fui colocar a tampa no lugar, meu dedo ficou preso e a tampa quase o esmagou. Lembro que meu indicador ficou parecendo que tinha o triplo do tamanho de tão inchado. Resultado: dois pontos no hospital e o espanto de todos os enfermeiros com o motivo do acidente.

Em seguida, meu avô morreu. Era a primeira morte de um parente próximo que eu presenciei e foi tudo muito estranho. O clima em casa mudou completamente a partir desse dia, culminando com a morte de minha avó alguns meses depois.

Hoje, vinte e poucos anos depois, fica a certeza que esse período marcou o término da minha infância e o início de uma nova fase. Aqueles tempos de inocência, de brincadeiras de rua, de felicidade gratuita dariam lugar a um adolescente complicado, mas no fundo, contente por ter vivido um ano tão intenso quanto foi 1986.